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Tereza Campello defende inclusão social com sustentabilidade e preservação ambiental

30/01/2012 10:00

Em debate durante o Fórum Social Temático, ministra destaca a importância das tecnologias sociais para promover o crescimento econômico do Brasil. De acordo com ela, esse deverá ser um dos principais temas da Rio +20, no Rio de Janeiro

Porto Alegre, 27 – Crescer, incluir e preservar serão as palavras de ordem da Rio+20, disse nesta sexta-feira a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, ao participar de debate no Fórum Social Temático, em Porto Alegre. “Não é possível discutir sustentabilidade e meio ambiente isolados da questão humana e social”. Esses temas, assinalou, deverão dominar as discussões durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, em junho, no Rio de Janeiro. Ela também reforçou a importância da busca de soluções regionais, por meio de tecnologias sociais, como motor do crescimento sustentável e da inclusão das pessoas extremamente pobres no Brasil.

O conceito de tecnologias sociais compreende produtos, técnicas e metodologias reaplicáveis que se desenvolvem regionalmente e representam soluções de transformação social. Este conceito se apoia no protagonismo social, na solidariedade econômica, no cuidado ambiental e no respeito cultural, dimensões que vão ao encontro da concepção do Plano Brasil Sem Miséria e da visão de crescimento aliada à inclusão social. Sob o nome de tecnologia social, estão abrigadas desde inovações em microempreendedorismo, inclusão produtiva, economia solidária até a construção de cisternas, barraginhas, fossas sépticas e projetos de educação ambiental.

Além da ministra, o debate reuniu o presidente da Fundação Banco do Brasil (FBB), Jorge Streit, e o especialista Ricardo Neder, professor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (CDS/UnB) e coordenador do Observatório do Movimento Social na América Latina. Em setembro de 2011, a FBB promoveu um encontro com entidades filiadas ao conceito de tecnologia social e produziu um documento com propostas para a conferência da ONU, intitulado “10 pontos para uma Plataforma da Tecnologia Social na Rio+20”.

Soluções locais - “Estamos falando em apoiar um cardápio de soluções ecológicas e não uma solução única. Temos que afirmar a tecnologia social como aquela que consegue responder de forma mais apropriada, customizada, aos problemas regionais e locais”, enfatizou o presidente da FBB. Segundo ele, muitas vezes as tecnologias tradicionais são massificadas e não respondem adequadamente às demandas de algumas comunidades. “A lógica da tecnologia social é gerar renda no local onde ela é aplicada, fazer a renda circular ali, envolver de alguma forma as pequenas iniciativas locais, o comércio, a produção. Ela dialoga com o desenvolvimento local, com a segurança alimentar, com o saneamento básico e até com as mudanças climáticas”, disse Streit.

Ricardo Neder também defendeu que as políticas de ciência, tecnologia e inovação devem atender demandas sociais. As tecnologias sociais, acrescentou, devem ter como ponto de partida a cultura e o saber local. Segundo ele, 98% das políticas de ciência e tecnologia do Brasil são financiadas com recursos públicos. Elas, assinalou, estão fortemente vinculadas a uma abordagem de ampliar a competitividade das empresas brasileiras ante os países mais desenvolvidos tecnologicamente, além de estabelecer bases de cooperação entre as economias do Hemisfério Sul. Porém, acrescentou, essa abordagem tem deixado muito pouco para as tecnologias sociais.

“Quando falamos em ciência e tecnologia sustentável, não estamos preocupados com a competitividade, mas com a inclusão social que as tecnologias sociais podem promover, de geração de renda para as populações que trazem seus conhecimentos populares para o campo das políticas públicas”, disse Neder. Por isso, advertiu, as discussões na Rio+20 não devem se restringir apenas a críticas ao modelo tradicional de ciência e tecnologia, já consolidado no Brasil. “Mas não podemos nos acomodar numa posição minoritária e deixar de disputar recursos. Temos que pleitear pelo menos a duplicação dos nossos 2%. Não podemos nos contentar com as sobras.”

Exemplo brasileiro – Tereza Campello destacou que o Brasil tem sido exemplo para os países mais desenvolvidos, por manter e ampliar a inclusão social num momento de crise econômica mundial. De um modo geral, ressaltou a ministra, a crise tem sido usada por alguns países como argumento para que não só se restrinjam direitos sociais, mas também para adotar tecnologias mais baratas no curto prazo, mas que são poluidoras e, portanto, mais caras no longo prazo.

“Temos que registrar que é possível, sim, resistir à crise incluindo, mas principalmente é possível aproveitar o momento para investir e avançar na implantação de tecnologias novas, que incluam pessoas e sejam mais limpas, disse a ministra. “A inclusão e o combate à pobreza são o motor do desenvolvimento sustentável. Não é dizer ‘se eu crescer, eu incluo’, mas o oposto: ‘se eu incluir, eu cresço’.”

A ministra lembrou também que as tecnologias sociais têm sido discutidas no contexto das políticas públicas e do Plano Brasil Sem Miséria, com exemplos como a construção de cisternas no Semiárido, as chamadas de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) específicas por microrregiões e com abordagens diferenciadas para quilombolas e extrativistas.

Diante do desafio de retirar 16,2 milhões de brasileiros da extrema pobreza, acrescentou Tereza Campello, não se pode trabalhar apenas com projetos piloto de tecnologias sociais. “Temos que testar e ver se as soluções são aplicáveis em larga escala, porque a inclusão dos mais vulneráveis, dentro do Brasil Sem Miséria, tem que acontecer aos milhares, e não às dezenas.”

Valéria Feitoza
Ascom|/MDS
(61) 3433 1021
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