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Da vida nas ruas à inclusão social, a trajetória do sergipano Rosenilton dos Santos

02/02/2012 10:00

Com a ajuda do serviço de assistência social do município de Aracaju, rapaz conseguiu abandonar a dependência química e fazer um curso de garçom. Acolhimento do Centro POP foi fundamental para a recuperação da autoestima e o encaminhamento ao trabalho

Ascom/Semasc
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Rosenilton espera chamada para ser garçom em uma plataforma marítima
Aracaju, 2 – Ele trocou a casa dos pais, no Lamarão, bairro da periferia, pelas ruas da capital de Sergipe. Foram mais de quatro anos de convívio com o crack, a cocaína, o álcool e cenas de violência. Há seis meses, a vida de Rosenilton Gonzaga dos Santos começou a mudar. Afastado das drogas e com certificado de conclusão de cursos de qualificação de garçom, já faz planos para o futuro: quer ter uma família e casa própria.

Rosenilton foi resgatado das ruas pela equipe de abordagem do Centro de Referência para Pessoas em Situação de Rua (Centro POP) da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (Semasc) de Aracaju. O trabalho do município se insere no contexto das ações do Sistema Único de Assistência Social (Suas), cujas políticas e programas nacionais são articulados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).

Desde que saiu da casa dos pais, Rosenilton passou a viver no canteiro da Avenida Beira Mar, próximo ao Parque dos Cajueiros. “Como eu morava perto de uma boate, trabalhava ajudando a manobrar carros, mas o dinheiro que recebia era para me drogar.”

Nessa situação, Rosenilton foi encontrado pela equipe de abordagem da secretaria. Embora tenha sido arredio ao primeiro contato, os funcionários da Semasc não desistiram de se aproximar dele. Na segunda tentativa, ele aceitou conhecer a proposta de inclusão social e cidadania apresentada pelos educadores do Centro POP.

Novo rumo – Aos 29 anos, Rosenilton percebeu que aquela era a chance para sair das ruas e dar novo rumo à sua vida. Passou, então, a viver na Central de Acolhimento da prefeitura de Aracaju, onde recebe todos os serviços socioassistenciais que o município oferece a esse público.

“O passo inicial foi encaminhá-lo à assistente social e à psicóloga do Centro POP”, lembra a coordenadora do Centro de Referência para Pessoas em Situação de Rua, Anne Barbosa. “Ao mesmo tempo, cuidávamos de tirar os documentos dele e de regularizar sua situação na Justiça.”

“Eu estava em dívida com a Justiça por ter cometido um delito”, conta o ex-morador de rua. O Centro POP fez a intermediação com o Judiciário e conseguiu que Rosenilton dos Santos tivesse a pena transformada em prestação de serviços comunitários.

De acordo com Anne Barbosa, Rosenilton correspondeu às expectativas da equipe de abordagem da Semasc. “Ele sequer precisou de tratamento clínico para abandonar as drogas.”

Qualificação – O Centro Pop também encaminhou Rosenilton para os cursos de qualificação profissional oferecidos pela Semasc. Ele optou por fazer o de garçom e, depois de concluí-lo, foi incentivado a participar do curso de salvatagem, que habilita a pessoa a trabalhar em plataformas marítimas. “Fiquei em terceiro lugar”, diz. “Estou esperando ser chamado para trabalhar como garçom em plataformas marítimas.”

Rosenilton atribui as mudanças em sua vida à equipe do Centro POP. “Eles acreditaram em mim num momento em que nem mesmo eu pensava que podia recomeçar. Achava que não tinha mais direito a nada. Minha família havia desistido de mim depois de tentar por três vezes de me tirar das drogas.” Hoje, ele é outro homem. “Tenho uma vida nova, com melhores perspectivas.” O ex-morador de rua sonha em formar uma família e comprar uma casa.

Agora, o Centro POP pretende restabelecer os vínculos de Rosenilton com sua família, destruídos no passado. “Estamos mantendo contatos sistemáticos com a família para que ele possa ser acolhido novamente ao seio familiar”, assinala Anne Barbosa.

Inclusão – O caso de Rosenilton mostra a importância das ações de inclusão e cidadania desenvolvidas pela prefeitura de Aracaju, por intermédio da Semasc, em consonância com as propostas do Plano Brasil Sem Miséria.

Os números comprovam o esforço que o município tem feito para resgatar os moradores de rua, oferecendo-lhes oportunidades de reconstruir a vida e de recompor os laços familiares. Em 2011, o Centro POP fez, em média, 100 abordagens de rua e 300 atendimentos mensais, que vão desde assistência psicossocial a um simples serviço de higiene pessoal. Por mês, o Centro POP incluiu cerca de 30 pessoas nos serviços socioassistenciais.

A campanha Inclusão e Cidadania – promovida pela Semasc entre novembro e dezembro do ano passado – foi responsável pela entrada de 27 pessoas em situação de rua nos serviços socioassistenciais de Aracaju. Elas foram acolhidas pelo Centro POP e encaminhadas aos abrigos Toca de Assis, Central Permanente de Acolhimento e Jesus Meu Abrigo.
 
Conceição Soares
Ascom/Semasc,com Ascom/MDS
(079) 8807-1737, 3218-7886 e (61) 3433-1021
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