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16/03/2020

Entrevista com o filósofo

Alexandre Araújo


1. O que é o Faces e Vozes da Recuperação?
Faces and Voices of Recovery dedica-se a organizar e mobilizar as pessoas em recuperação do Transtorno pelo Uso de Substâncias (TUS), famílias, amigos e simpatizantes, na organização de comunidades de recuperação e trabalhos em rede para promover o direito e as fontes para a recuperação através de advocacy.

2.Qual é a missão de Faces e Vozes da Recuperação do Brasil?
- Mudar a percepção pública sobre Recuperação
- Promover políticas públicas eficazes
- Demonstrar que a Recuperação tem funcionado para mais de 23 milhões de americanos e suas famílias
- É nossa força coletiva que irá assegurar nosso sucesso, e é nossa missão trazer a força e a prova da recuperação para todos.

3. Quais as ações principais praticadas pelo Faces e Vozes da Recuperação?
- Capacitação para implantação do atendimento a portadores de dependência de álcool e outras drogas;
- Curso de capacitação em prevenção e recuperação de TUS e técnicas diversas;
- Curso de inglês nível básico (para iniciantes);
- Ambulatório com atendimento a familiares;
- Suporte e orientação jurídica para o dependente em recuperação;
- Palestras gratuitas mensalmente na últimas sextas-feiras do mês, de 20h às 22h, com os seguintes temas “o que é dependência química, onde tratar” e o que “o que é tabagismo, onde tratar”.


4. Qual o diferencial entre o Faces e Vozes e os grupos de ajuda mútua tradicionais?
Faces e Vozes da Recuperação veio para fazer um “link” entre o tratamento e a vida pró ativa do portador de TUS defendendo seus direitos como cidadão e propiciando meios para que se atinja uma maior qualidade de vida.

5. Artistas, empresários, políticos mostram as faces por qual razão?
Atualmente essas pessoas têm mostrado suas faces para que possam demonstrar que a recuperação existe e é real.

6. Que ações têm sido feitas no país de origem?
São realizadas várias ações no país de origem, tais como:
- Manifestações públicas (passeios, corridas, rally);
- Construção de comunidades de recuperação;
- Escolas de recuperação;
- Fóruns de escuta dentro do sistema prisional.


7. Que ações têm sido feitas no Brasil?
Ainda estamos no início desse trabalho. Temos a necessidade urgente de mostrar à sociedade em geral, que um portador de TUS pode se recuperar, se tornar um indivíduo proativo. Pode construir família, ter um lar e um emprego estável. A informação é a melhor forma de atingirmos nosso objetivo. Para tanto organizamos workshops, simpósios, cursos de capacitação, e construímos uma rede de atuação.

8. O que o motiva a trabalhar com este tema?
A grande motivação é a tendência mundial de se mostrar que o portador de TUS tem condições de se tornar um cidadão íntegro e cumpridor de suas responsabilidades.

9. Como o Obid pode contribuir para seu trabalho?
Estamos vivenciando atualmente, o que os Estados Unidos e Europa vivenciaram há 20 anos no quesito Transtorno por Uso de Substâncias. Poucas ou quase nenhuma pesquisa é feita em relação àqueles que estão em recuperação do TUS. Seria importante tanto para o Brasil, como para o restante do mundo, se a OBID estimulasse trabalhos de pesquisa nesse campo, patrocinando bolsas de estudo, intercâmbios culturais, capacitando pessoas para saírem a campo para que seja feita uma ampla pesquisa a respeito de quantos saíram do TUS ativo para ingressarem numa vida proativa. Quantos indivíduos se mantiveram em sobriedade após tratamento e por quanto tempo. Quais os tipos de tratamento que se dispõe na rede pública, e em que condições é oferecido.

Alexandre Araújo é presidente da empresa Associação Intervir. Atuou como Comunicador (Voluntário) na empresa da Rede Boa Nova de Rádio. Foi consultor em dependência química no Centro de Tratamento Bezerra de Menezes. Trabalhou como educador de rua na empresa Fundação do Bem-Estar do Menor. Estudou Recuperação através do Programa de 12 Passos.  Graduado em Filosofia pela instituição de ensino Mosteiro de São Bento. Gerencia a Faces & Vozes da Recuperação no Brasil.