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Terra urbana garante alimento no coração das grandes cidades

02/03/2007 17:17

Evento em São Paulo no dia 5 de março apresentará experiências de agricultura urbana

Terra urbana garante alimento no coração das grandes cidades

Ong Cidades sem Fome

Terra urbana garante alimento no coração das grandes cidades
Evento em São Paulo no dia 5 de março apresentará experiências de agricultura urbana

Alguém um dia parou para pensar que os espaços urbanos vazios podem ser ocupados por hortas? Que os becos e terrenos baldios das grandes cidades, abandonados, escuros e cheios de entulhos, são os melhores locais para plantar frutas, plantas medicinais e até criar animais? E por que não as laterais de linhas férreas, estradas e avenidas, margens de cursos d´água e áreas inundáveis?

O que há tempos é feito de forma pioneira e pontual em escolas, creches e, em alguns casos, hospitais, postos de saúde e presídios, começa a se consolidar como um novo conceito de sustentabilidade ambiental e econômica, aliado a um dos maiores desafios sociais: a superação da insegurança nutricional e da fome, que ainda atinge milhões de pessoas em todo o mundo.

Nesta segunda-feira (05/03), em São Paulo, estarão reunidos representantes de associações, instituições, organizações não-governamentais e Governo Federal para discutir resultados e trocar experiências bem-sucedidas em Agricultura Urbana e Periurbana que já estão mudando e fazendo a diferença na vida de muita gente. O encontro, que acontece das 9h às 17h, no auditório Teotônio Vilela da Assembléia Legislativa da capital, é o primeiro de uma série de oito, promovidos pela Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan) do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), em parceria com as organizações não-governamentais Rede de Intercâmbio de Tecnologias Alternativas, Ipes Promoción Del Desarrollo Sostenible e Instituto Kairós.

A intenção é divulgar o resultado de uma pesquisa inédita, realizada a pedido do MDS em 11 regiões metropolitanas do País. Na reunião desta segunda, serão apresentadas as 61 experiências de agricultura urbana e periburbana de São Paulo – entre atividades de produção, venda, transformação e serviços. Nas regiões Sul e Sudeste, o mesmo estudo foi feito em Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG) e Rio de Janeiro (RJ), onde os dados vão ser divulgados em encontros locais, a exemplo da capital paulista, em datas a serem confirmadas.

Nesta primeira fase da pesquisa, 377 iniciativas agrícolas foram identificadas, a partir das quais as organizações parceiras vão trabalhar no desenvolvimento de metodologias que facilitem a multiplicação de experiências semelhantes. A segunda parte da pesquisa fica pronta em abril, com os resultados das regiões Norte/Nordeste.

Ong Cidades sem Fome
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Aldenice (à direita) trabalha em horta na zona leste de São Paulo
Esforço concentrado
- Segundo o diretor do Departamento de Promoção de Sistemas Descentralizados da Sesan, Crispim Moreira, uma das preocupações do MDS é a implantação de programas e ações de agricultura urbana, na perspectiva da promoção da segurança alimentar e nutricional. “Anualmente, R$ 10 milhões do orçamento do Ministério são destinados nesses programas em parceria com estados, municípios e ONGs”, explica. “Daí a pesquisa, que tem o objetivo de compartilhar com todos os atores sociais que atuam na área, tanto na execução de projetos quanto na construção de conceitos e métodos”.

Para ele, a multiplicação de experiências é fundamental para a garantir o direito humano à alimentação saudável de famílias pobres, que sobrevivem nas periferias dos grandes centros e regiões metropolitanas. “Representa uma chance de emancipação, uma vez que por meio delas podem produzir seus próprios alimentos”, comenta Crispim. Além disso, oferece ocupação produtiva e renda familiar, porque os produtos podem ser vendidos e beneficiados por empreendimentos solidários. “Cidades nas Américas Latina e do Norte, Caribe, Europa, Ásia e África já avançaram nessas políticas e revelam contribuições importantes”, completa.

Atualmente, o MDS mantém 130 convênios de agricultura urbana e periurbana, sendo 30 projetos de beneficiamento e comercialização (em feiras, mercados públicos, pequenas agroindústrias), quatro projetos na área de segurança alimentar em acampamentos e 96 na linha de produção (hortas e lavouras comunitárias, plantas medicinais, mudas e viveiros, criação de pequenos animais).

Roça do lado de casa – A dona-de-casa Aldenice Alves de Souza – ou apenas Nice -, de 53 anos, levanta cedo todos os dias. É quase como se ainda vivesse no interior do Maranhão, seu estado natal, de onde saiu há 28 anos. Apesar de morar na zona leste de São Paulo, trabalha na roça. Uma roça não tão grande quanto a de lá, mas de onde tira mais de R$ 450,00 mensais para sustentar a família. É do pequeno lote de 250 metros quadrados que Nice fala com orgulho. “Tiro tanta coisa... Alface, cenoura, beterraba, couve, repolho, rúcula”, lista ela, lembrando a quantidade de fregueses que tem e que confiam na qualidade do que produz – nada de agrotóxico e ainda regado com muito carinho.

Nice é uma das 1.197 pessoas que trabalham nos nove núcleos de agricultura urbana, implantados pela ONG Cidades Sem Fome, em São Paulo, idealizada graças à determinação de Hans Dieter Temp, um descendente de alemães, de 43 anos, que resolveu apostar na terra para ajudar pessoas que não tinham o que comer. Hoje, terrenos baldios de favelas e bairros pobres da periferia paulistana têm oásis verdes formados por milhares de pés de hortaliças. Ele calcula que mais de 4.700 pessoas sejam beneficiadas pelo projeto, incluindo trabalhadores e suas famílias.

Além de Hans e do irmão, Rüdiger, 33, nutricionistas e assistentes sociais avaliam a situação socioeconômica e nutricional das comunidades atendidas e a partir dos levantamentos define-se o que plantar segundo as necessidades de cada uma. “Outra vantagem da agricultura urbana é a proteção ambiental das áreas desocupadas, que ficam livres dos entulhos e das invasões”, completa.

Serviço
Encontro local para apresentação dos resultados da pesquisa sobre identificação e caracterização de iniciativas de Agricultura Urbana e Periurbana (AUP) e Diálogo sobre os desafios e oportunidades da AUP na Região Metropolitana de São Paulo

Data: 05 de março de 2007
Local: Auditório Teotônio Vilela, Assembléia Legislativa de São Paulo – 1o. andar
Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, 201 – Palácio 9 de Julho, Ibirapuera – SP Horário: das 9h às 17h

Informações para a imprensa/ MDS
Kátia Marsicano
(61) 3433.1060
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