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Estudos e esportes fazem parte da rotina de jovens beneficiários do Bolsa Família em Sergipe

24/03/2008 15:09

Em Nossa Senhora do Socorro, interior do Estado, moradores entre 5 e 25 anos, muitos deles beneficiários do programa de renda condicionada do governo federal, participam de atividades esportivas no Espaço de Cultura e Convivência Social (ECCOS).

Edinah Mary/SEIDES
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Neidson Silva, o professor "Batatinha", encarou o desafio de mostrar aos jovens que educação e esporte podem mudar a realidade
Durante as férias escolares, José Fernando Monteiro dos Santos, 16 anos, e Fernanda Monteiro dos Santos, 9, moradores de um conjunto habitacional popular, passavam o dia nas ruas de Nossa Senhora do Socorro (SE). Mas, no ano passado, a rotina desses beneficiários do Bolsa Família - programa executado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) - foi alterada.

Ao invés de ficarem em casa ou nas ruas, os irmãos e outros 70 moradores da cidade – entre 5 e 25 anos – passaram a freqüentar as aulas de judô no Espaço de Cultura e Convivência Social (ECCOS) de Nossa Senhora do Socorro. Além de praticar o esporte, os alunos também participam das aulas de reforço escolar. No ECCOS, meninos e meninas em situação de vulnerabilidade social aprendem não apenas as técnicas do jogo esportivo japonês, mas também são instruídos a lutar pelo direito à cidadania. Entre as palavras de ordem da equipe estão: disciplina, responsabilidade e, principalmente, respeito ao próximo.

O curso de judô ainda não completou um ano, mas a diretora da unidade, Jorgeane Alves, já se considera vitoriosa em sua função. Ela acredita que já colhe os frutos dos esforços empenhados na elaboração e dedicação ao trabalho com os jovens. “Diariamente, os pais dos alunos elogiam o fato dos seus filhos estarem mais educados e dedicados ao estudo”, comemora. Jorgeana, que é psicopedagoga e historiadora, também acredita que o trabalho com as crianças as distanciam das drogas e da violência das ruas.

Em maio de 2007, o professor de Educação Física, Neidson Silva, começou a desenvolver o trabalho com os jovens do Bairro João Alves. Naquele mês, o “professor Batatinha” - como é conhecido na cidade - encarou o desafio de mudar os incorretos hábitos dos estudantes. A meta era conseguir demonstrar a eles como a educação e o esporte podem mudar a realidade de uma comunidade em situação de vulnerabilidade social. A batalha incluía atrair a atenção dos garotos e alertá-los para a necessidade da disciplina e do respeito ao próximo. ”Era meu sonho trabalhar em um projeto como este. Diariamente, reafirmo para os alunos que somos uma equipe e que devemos lutar para vencer todas as dificuldades da vida”, explica.

O Espaço de Cultura e Convivência Social (ECCOS) de Nossa Senhora do Socorro é administrado pela Secretaria de Inclusão Social de Sergipe. Existem outras unidades na grande Aracaju, Santo Amaro e Simão Dias, entre outros municípios. O ECCOS atua diretamente na melhoria da vida de crianças que estão em situação de vulnerabilidade social, muitas deles beneficiárias do Programa Bolsa Família, que atualmente chega a 11 milhões de lares brasileiros e contribui para reduzir a grande desigualdade social ainda existente no País.

Edinah Mary/SEIDES
jorgeane - edinah maryseides.jpg
Jorgeane Alves, diretora do ECCOS, se considera vitoriosa em sua função
Motivação – José Fernando é aluno do primeiro ano do ensino médio e freqüentador assíduo do ECCOS de Nossa Senhora do Socorro. O rapaz de 16 anos se interessou tanto pelo judô que, no ano passado, foi graduado e recebeu a faixa azul. Agora, o sergipano alterna as aulas na escola com as atividades no Espaço de Cultura.
Até o desempenho escolar de Fernando aumentou. “Gostei tanto das atividades que me esforço muito para ser campeão na escola e no esporte”, festeja. A atividade esportiva também gerou a indecisão sobre qual carreira seguir. Fernando ainda não sabe para qual curso irá prestar o vestibular. “Não sei se ainda quero fazer Engenharia Mecânica. Depois do judô me interessei muito pela Educação Física e acho que vou prestar vestibular para essa área.”, conta.

A paixão de Fernando pelas artes marciais é tão grande que ele até convidou a irmã mais nova para conhecer as atividades. Agora, os dois não querem saber mais de ficar nas ruas. Todos os dias, assiduamente, os jovens saem da escola e correm para as aulas no ECCOS. Fernanda é faixa branca de judô. O desempenho escolar dos irmãos também aumentou depois que eles começaram a freqüentar as aulas de reforço escolar ministradas no Espaço de Cultura e Convivência Social. “Hoje só tiro notas boas na escola”, comemora Fernanda.

Realidade que vem mudando - O professor Neidson e a diretora Jorgeane Alves acreditam que conseguir obter resultados positivos com os jovens é uma verdadeira batalha. “Quando começaram o curso, percebemos que eles não cultivavam hábitos higiênicos, tinham dificuldades para se relacionar e não respeitavam ninguém. Os pais também ficavam preocupados em ver os filhos desmotivados para os estudos”, explica Jorgeane. Segundo ela, hoje a mentalidade dos garotos mudou e a realidade é bem diferente do passado. “Antes, víamos que eles mal sabiam português, pois só se comunicavam por gírias, explica Jorgeane.

Outro beneficiário do Bolsa Família que também freqüenta as aulas de judô é Janderson Barbosa dos Santos, de 17 anos. A melhoria na vida pós-ECCOS também foi sentida por ele. “Meus pais elogiam meu comportamento. Eu mostrei pra eles que o judô não é violência e, sim, disciplina”, argumenta. Questionado sobre o tempo que pretender permanecer no curso, Janderson responde na mesma hora: “Não quero sair deste projeto. Só saio quando Deus quiser. Aqui mudei a minha vida”, comemora.

José Fernando, Fernanda, Janderson e os outros colegas de curso vão participar, durante todo este ano, dos campeonatos da Liga Sergipana de Judô. “Estamos treinando os garotos e todos eles irão competir”, explica o professor Neidson, que é faixa preta no esporte.


Fernanda Souza


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