A história da alimentação

À medida que o homem evoluiu sofisticaram-se também seus hábitos alimentares. A história humana da alimentação e da sócio-economia se entrelaçam. Do homem das cavernas até o contemporâneo, a necessidade alimentar é um dos seus traços mais marcantes. Não apenas por se tratar da sobrevivência, mas também por esta ser indispensável a uma qualidade de vida satisfatória. Acima de tudo, a alimentação continua um tema central em todo planeta, pois garantir comida em quantidade e qualidade suficiente para todos os seres é um dos maiores desafios humanos.

Acredita-se que na Pré-história o homem teria iniciado a consumir alimentos observando outros animais. Assim, sua dieta continha basicamente frutos e raízes. O mel de abelhas foi, provavelmente, sua primeira “sobremesa”. Depois desta fase, o homem passou a consumir carne crua e moluscos. A descoberta do fogo trouxe os assados e cozidos. A invenção da cerâmica e o encontro de terras e povos distintos proporcionou a realização de inúmeras experiências com alimentação, até chegar aos dias de hoje, quando a humanidade conta com uma ciência especializada no assunto: a Nutrição.

A agricultura - No período Paleolítico (500.000 a.C. a 1.000 a.C.), o homem ainda não conhecia a agricultura e a domesticação de animais. As dificuldades climáticas e de obtenção de alimentos obrigaram grupos humanos a viver como nômades. Enquanto migravam foram percebendo que as sementes que caíam sobre a terra multiplicavam suas colheitas em poucos meses. Tornaram-se agricultores. A nova atividade fixou os grupo em pequenas aldeias. A abundância de cereais (especialmente aveia, trigo e cevada) iniciou o processo de desenvolvimento agrícola pelos povos antigos. A invenção do arco e da flecha difundiu a caça e, conseqüenetemente, aumentou a quantidade de comida.

Idade dos metais (10.000 a.C. a 4.000 a.C.) - Neste período, eram caçados animais menores como javalis, lebres, pássaros e havia a criação de bovinos, ovinos, caprinos e suínos. No final desse período a ação do homem sobre a natureza tornou-se mais intensa e as colheitas mais abundantes. Estes fatores contribuíram para o aumento da população e a formação de grupos familiares maiores - as tribos. É nesta época que se inicia a base da alimentação tradicional, ou seja, a cultura de cereais e seu uso na fabricação de pães e bebidas.

Antigo Egito - As elites egípcias tinham comida farta e variada. Massas, carnes, peixes, laticínios, frutas, legumes, cereais, condimentos, especiarias, mel e bebidas foram encontrados nas tumbas dos faraós. Quanto ao homem comum, os documentos históricos apontam para o consumo de alimentos vindos da agricultura, da criação de animais, da caça e da pesca. Para os egípcios, a saúde e a longevidade dependiam dos prazeres da mesa. A falta de apetite era considerada sinal de doença. No Egito, as propriedades medicinais de ervas já eram conhecidas. Eles também já relacionavam alimentação e cura de moléstias.

Antiguidade (séculos V a X d. C.)- Os médicos da Antigüidade em geral, conheciam os efeitos preventivos e terapêuticos da alimentação. O médico grego Hipócrates associa a cevada, o trigo, as favas, o grão-de-bico, as lentilhas e o gergelim ao combate à doenças. Além dos grãos, comia-se na Grécia, queijos, frutas hortaliças como alho, cebola e agrião. O sabor era importante e condimentos como poejo, manjericão e tomilho eram freqüentemente para temperar os alimentos. Os gregos apreciavam muito as carnes. Bois, suínos, aves, cães e javalis eram os preferidos. Peixes e moluscos também eram pratos corriqueiros da dieta alimentar da população. A principal bebida era o vinho. Em Roma, não havia muita diferença. Além dos deuses, a alimentação romana era similiar à grega.

Idade Média (séculos X a XV d. C) – Neste período as pesoas se preocupavam mais com a aparência do que com o sabor dos pratos. As cozinhas medievais se destacavam, no entanto, por apresentar três sabores fundamentais: o forte, devido às especiarias (ou temperos); o doce, graças ao uso do açúcar; e o ácido, referente ao vinagre, ao vinho e aos sucos de frutas cítricas.

Idade Moderna (séculos XV a XVIII) -A agricultura que antes era de subsistência, passa a ter fins comerciais. Produtos como tomate, batata, milho, arroz e outras espécies tornam-se importantes na alimentação ocidental. O pão era bastante consumido por todas as classes sociais e as crises na produção de cereais durante esse período tiveram impacto direto sobre a mortalidade.

Idade Contemporânea (séculos XIX a XX) - A agricultura de mercado continuou crescendo. Com isso, passou a ser cultivada e consumida uma variedade cada vez maior de frutas e verduras. A grande novidade do período é a difusão do consumo do açúcar entre as classes mais pobres, antes restrito às elites . Foi na contemporaniedade que a sociedade aumentou o consumo de ovos e gorduras, tanto vegetal quanto animal.

Atualmente, o homem conta com uma variedade enorme de produtos alimentícios. As novidades surgem diariamente e é difícil assimilá-las. Os antigamente simples alfaces e tomates podem ser modificados por meio de processos sofisticados como cultivos em condições especiais e até sofrer alterações genéticas. Enlatados, pré-cozidos, conservas, self-service e fast-food estão à disposição. Tudo somado, restam muita confusão ao consumidor e a curiosidade e pesquisa dos nutricionistas que tentam mapear “o bem comer”.

Box (segue abaixo)
Em todos os períodos, o homem usa determinados conhecimentos e hábitos adquiridos em tempos remotos. Algumas técnicas anteriores ao uso da cerâmica, persistiram até hoje:

v Aquecer a água com pedras quentes. No Brasil, essa técnica era empregada no preparo do café do comboieiro ou café de pedra, na qual se misturava o pó do café na água fria e se jogava uma pedra aquecida no recipiente.
v Assar pelo calor, ao serem retiradas as pedras aquecidas, num forno subterrâneo. Ou acender o fogo sobre a panela enterrada, uma técnica comum no Brasil do século XVI.
v Assar ao calor das brasas, o que deu origem ao atual churrasco.
v Cozinhar nas cinzas. Em meados do século XVII, os indígenas do Brasil preparavam peixes embrulhados em folhas e os colocavam debaixo de cinzas para ficarem cozidos ou assados.



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