Restaurantes Populares combatem a fome por apenas um real

Bruno Spada / MDS
Ministro Patrus Ananias, pioneiro na implantação de Restaurantes Populares
Com um real, valor insuficiente para se adquirir uma lata de refrigerante, é possível fazer uma refeição saudável constituída por salada, arroz, feijão, carne, um copo de suco e ainda sobremesa. O ingrediente principal desta receita é a adoção de uma política social séria voltada para as pessoas de baixa renda, como a criação de restaurantes populares nos grandes centros urbanos.

O ministro do d Desenvolvimento S ocial e Ccombate à F ome, Patrus Ananias, lançou o primeiro restaurante popular do País enquanto ocupava a prefeitura de Belo Horizonte (MG), no ano de 1993. Segundo ele, o restaurante localizado na avenida dos Andradas, na área central da capital mineira, superou as expectativas e funciona até hoje, servindo cerca de quatro mil refeições diárias. "O Programa de Restaurantes Populares nasceu com o intuito de contribuir para que pessoas, de baixa renda, nos grandes centros urbanos, como trabalhadores informais, desempregados, estudantes e moradores de rua, tenham acesso à uma alimentação saudável e de baixo custo", afirma o ministro.

O governo federal já tem cinco restaurantes populares funcionando : dois em Belo Horizonte, e os outros três em Diadema (SP), Guarulhos (SP) e Sobral (CE). Outros 28 estão em processo de implantação, sendo que 10 estarão em pleno funcionamento até o final de 2005. Segundo o coordenador dos Programas de Alimentação e Nutrição do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate á Fome (MDS), Antônio Leopoldo Nogueira Neto, a expectativa é que, no decorrer de 2006, mais 60 unidades sejam inauguradas.

Bruno Spada / MDS
Leopoldo ( Coordenador dos Restaurantes )
Antônio Leopoldo explica que o Restaurante Popular é uma unidade de Alimentação e Nutrição, gerida pelo poder público local, cujo objetivo é a produção e a distribuição de refeições saudáveis a preços acessíveis para a população em situação de insegurança alimentar. "O Governo Federal repassa um milhão de reais para a construção, compra de equipamentos ou utensílios, ficando a gestão dos estabelecimentos por conta dos estados e municípios", di z.

INVESTIMENTOS - Em 2004 o Governo Federal investiu R$ 25,1 milhões na implementação de 32 restaurantes populares. Dois convênios foram firmados com os estados do Rio de Janeiro e Piauí e os demais com municípios dos estados de Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Roraima e São Paulo.

Até o final do ano, mais 10 restaurantes que contam com o apoio financeiro do MDS devem ser inaugurados. A expectativa é de que todas as 32 unidades apoiadas com recursos do MDS em 2004 estejam funcionando até maio de 2006, com fornecimento em torno de 35 mil refeições, ao dia.

Além disto, para 2005, os recursos de R$ 37 milhões visam implantar 55 unidades. O Ministério já publicou edital de seleção pública, com 124 interessados, entre estados, municípios e Distrito Federal. Foram pré-selecionados 78 proponentes (incluindo DF, entre estados e municípios), que estão providenciando documentação para começar a receber os recursos.

Ignacio Costa / Arquivo ASCOM
População aprova Restaurante Popular

Restaurantes Populares já eram defendidos na década de 50

O médico pernambucano Josué de Castro, nascido em 1908, foi um dos maiores estudiosos do mal sociológico que atinge o país nos dias atuais: a fome. Ele foi o autor do primeiro livro a tratar do assunto "O Problema Fisiológico da Alimentação no Brasil", publicado em 1932. Obteve grande reconhecimento em diversas organizações de políticas públicas entre elas o Serviço de Alimentação da Previdência Social, que se destacava com a criação de restaurantes populares. Mas suas publicações de maior impacto mundial foram Geografia da Fome (1946) e Geopolítica da Fome (1951), onde mapeou a situação da fome no Brasil, suas causas e efeitos. Sua devoção pelo trabalho lhe rendeu a indicação aos prêmios Nobel da Paz e da Medicina.

O diretor de Promoção de Sistemas Descentralizados da Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, Crispim Moreira, lembra que o programa de implantação de restaurantes populares conta com uma rede de fornecimento de alimentos, que são adquiridos através do Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA). "O governo federal transfere recursos para os municípios comprarem alimentos dos pequenos produtores rurais e dos assentados da reforma agrária para abastecer a nossa rede de fornecimento de refeições, entre eles os restaurantes e cozinhas comunitárias", explica.

PESQUISA - Segundo pesquisa encomendada pelo MDS ao Instituto Ibope e divulgada em setembro deste ano, os restaurantes populares são considerados bons ou ótimos para 86% dos seus usuários. Outros 97% informaram que o trabalho feito nestas unidades possibilita melhoria na qualidade de vida. Para 98% dos freqüentadores, o preço cobrado (R$ 1,00) é acessível.

Outro dado importante revela que o feijão é um alimento presente em 94% das respostas sobre alimentos que são consumidos diariamente, seguido de arroz (92%), frango, carne e bife (66%), saladas (58%), frutas (57%) e legumes (55%). A maioria (86%) dos entrevistados faz questão de consumir alimentos saudáveis, enquanto apenas 14% não têm essa preocupação. Entre os motivos que influenciaram a escolha dos restaurantes, 78% informaram o preço cobrado, em média R$ 1,00.

Informações para imprensa:
Marcelo Rebelo - (61) 3225-0172
ASCOM/MDS

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